21 de Julho: uma carta fora do baralho - Rosane - Taróloga

quinta-feira, 21 de julho de 2011

21 de Julho: uma carta fora do baralho

Me permitam quem me lê, que hoje faça algo um pouco diferente, mas não menos sem sentido na proposta do tarot. O tarô busca, pela simbologia das cartas, revelar aspectos inconscientes da vida de quem o consulta para tornar o consulente mais consciente de sua vida e seu ‘destino’. Mas o mesmo pode ser feito a todo instante, na vida cotidiana, com cada pequeno ou grande incidente que se vive. Basta ter olhos para enxergar, como dizem os iniciados. Como nem sempre é fácil, pois tendemos a crer que o que nos acontece é simplesmente uma decorrência de algo externo, recorremos aos oráculos. Hoje não vou utilizar o tarot. Hoje vou utilizar os meus olhos e convido você a usar os seus comigo.

Hoje, passados 11 dias de um acidente em que capotei meu carro perto de casa (nenhum ferido grave, graças a Deus), resolvi consultar meu ‘dicionário’ de vida sobre o ocorrido. O livro se chama ‘A Doença Como Caminho’, de Thorwald Dethlefsen e Rüdiger Dahlke. Na linguagem dos ‘trouxas’, o livro fala do conteúdo psicológico associado a vários tipos de doenças e incidentes, os quais, por não conseguirmos elaborar adequadamente em nossa psique, passam a fazer parte da nossa "sombra". Na linguagem dos sábios, o livro traduz as metáforas sombrias da vida. Pois bem. Fui então procurar por ‘Acidentes de Trânsito’. Tal não foi a minha surpresa ao ler o relato que os autores propuseram como exemplo. Exatamente o ocorrido comigo. Vindo no mesmo trajeto de sempre (caminho de casa) e não vendo o carro que vinha em sentindo contrário no cruzamento da R. Antônio da Veiga com a R. Joinville, cujo farol estava intermitente, meu carro foi atingido em cheio e arremessado a ponto de capotar. As pessoas que estavam comigo se machucaram e foram as primeiras a ser retiradas. Eu, presa no cinto de segurança, fui a última a sair. Os detalhes do acidente são menos importantes do que o sentido que eles trazem. Falava o livro de tentar manter o rumo e ser interceptado. De se ver ‘com as quatro rodas pra cima’, tentando sair e tendo que aguardar por socorro. De não poder ouvir e não se fazer ouvir. Todas situações reais. Todas metáforas da verdade inconsciente. Que verdade? Que verdade eu mesma não queria ver, pela qual tive de sofrer um acidente para enxergar? Foram 11 dias para eu ter coragem de abrir o livro e tentar decifrar, pelo texto dos outros, o que eu não me permitia descobrir por mim mesma. O livro traduzia quase como se falasse diretamente comigo: ‘você precisa mudar o rumo da sua vida’.

Inconscientemente, sabemos que estamos errados ao andar no mesmo sentido, tentando fazer as mesmas coisas de sempre. Sabemos que resistimos a fazer as mudanças que a nossa alma pede. Mas queremos, a todo custo, manter o rumo das coisas. Por medo, não ‘vemos’ o que está na nossa frente. E o que está na nossa frente – ou na nossa alma – então nos força a enxergar. E a colisão entre o que fazemos e o que a nossa alma pede tem tal impacto que somos arremessados deste curso com tamanha violência que precisamos ficar, literalmente, de ponta cabeça. Virar a mesa, ficar de cabeça pra baixo! E fiquei um bom tempo assim, até ser socorrida. Por mais que me mexesse, não conseguia me soltar. Precisava que outra pessoa soltasse o meu ‘cinto de segurança’ e me tirasse de lá. Que cinto de segurança me prendia ao meu velho modo de guiar minha vida? O cinto é a medida da nossa fartura, não? Afrouxar ou apertar o cinto depende do quanto você está se fartando de comer. Ou do quanto você está farto de viver. O capítulo do meu ‘dicionário’ terminava com um sonoro ‘o ser humano se torna honesto’. Honestamente, eu estava farta daquela vida de conforto e segurança em que dependia de outros, como ex-marido, para ter. Estava farta de mentir sobre quem eu de fato era. Estava farta de me esconder dos meus sonhos. Estava farta, simplesmente, de não ser eu mesma. Minha saída do carro, mais simbólica não poderia ser: uma mão amiga solta meu cinto e me puxa, de cabeça pra baixo, pela estreita passagem da janela do carro. Nesta hora, não adianta achar que somos autossuficientes. Eu precisava de ajuda. Porque estava renascendo.

Obrigada pela leitura. Desejo a você que me lê, que faça do que aconteceu comigo, um exemplo para você. Não, não se trata de um exemplo de 'dirigir com mais atenção' ou 'use sempre o cinto de segurança'. Ou mesmo 'reativem a p... desse farol de uma vez!', matéria de jornal que, aliás, meu carro foi, vejam a ironia, 'símbolo'. Não. Não se trata de usar um exemplo para culpabilizar nada nem ninguém. Desejo que você, diferente de mim, não precise de um acidente para colocar sua vida novamente nos eixos. Que você não precise de violência para retomar a sua vida. Portanto, não negligencie a sua alma! Meu exemplo deixa claro que ela - ou Deus - sempre é mais forte que nós.

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