3 passos para desvendar o enigma de Blumenau - Rosane - Taróloga

terça-feira, 22 de outubro de 2013

3 passos para desvendar o enigma de Blumenau

"Decifra-me ou te devoro". Esse era o desafio da Esfinge de Tebas, que eliminava literalmente aqueles que se mostrassem incapazes de responder ao seu enigma. Blumenau também possui uma Esfinge de Tebas simbólica que a assombra. Como no mito, quem der a resposta errada será sentenciado à sua pena (ou karma). E, convenhamos, numa cidade engolida de tempos em tempos por enchentes, parece que seu enigma não vem sendo muito bem respondido.

E qual é o enigma de Blumenau para ser assolada por tantas enchentes?

Ei-lo: "o que é que se perde ao se ganhar e se ganha em se perder?"


Ao pensar no enigma, nos vêm à mente o famoso soneto de Luís de Camões, bem valorizado pela música Monte Castelo, do grupo Legião Urbana:

Amor é um fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.

Falando no Amor, é ele a conseqüência natural após a completa compreensão do enigma. Porém, para desvendar a charada, vamos ao seu primeiro passo:

Passo 1 - Achando as pistas na bandeira de Blumenau

Não há símbolo que represente melhor uma cidade que a sua bandeira. A bandeira de Blumenau é formada por um fundo listrado vermelho e branco com um brasão ao centro.


Vejamos em detalhes o seu brasão:


Neste brasão, vemos um conjunto de símbolos formado basicamente por:

1) no nível superior, uma coroa mural;
2) no nível médio, 2 homens de preto e branco segurando um escudo formado por 7 'estampas';
3) no nível inferior, uma roda dentada de engrenagem contendo uma faixa com inscrições sobre ela.

NÍVEL SUPERIOR/PENSAMENTOS: A coroa mural. O desenho desta coroa está equivocado. Segundo a convenção civil deste símbolo, a mesma deveria ser PRATA e não OURO pois o dourado é reservado apenas a capitais de estado. A coroa também deve ter cinco torres, e não três. E deve possuir portas - como está, parecem apenas janelas. Já começou o problema... ou melhor: já temos aqui a primeira pista para a resposta. Como está, com três torres e na cor dourada, indica que Blumenau é uma aldeia não emancipada e capital de estado ao mesmo tempo.

NÍVEL MÉDIO/SENTIMENTOS: Os tenentes (como são chamadas as figuras que suportam o escudo), representam, à esquerda, o fundador da cidade Dr Hermann Bruno Otto Blumenau e, à direita, um machadeiro com seu machado. O escudo em si é divido em seis partes. Elas representam os Estados alemães que trouxeram um maior contingente de emigrações, bem como as armas nacionais e catarinenses. E possui o acréscimo de um escudete no centro, sobreposto ao todo e que constitui as "armas falantes" de Blumenau, o que significa "campo de flores". Possui fundo azul e cinco estrelas amarelas representando a constelação do Cruzeiro do Sul, o campo de flores à margem de um rio branco (no caso, o Rio Itajaí-Açu). Enfim, além deste escudo levar o emblema de todas as culturas que vieram para a cidade, leva ao centro a imagem de um rio que cruza um campo sob uma noite de lua. Segunda pista, portanto.

NÍVEL INFERIOR/BASE: Uma faixa em azul com a inscrição: Pro Sancta Catharina Et Brasilia ("Por Santa Catarina e Pelo Brasil"). Atrás da faixa, uma roda dentada de engrenagem de ferro, representando a força da indústria blumenauense. Mais uma pista: novamente, segundo a convenção oficial, a roda dentada não deveria estar aí, oprimida pelo brasão e escondida atrás do listel. Ela deveria estar incorporada ao escudo central, em espaço próprio, ou eliminada.

Em resumo, a bandeira de Blumenau evidencia que a cidade revela uma dupla personalidade (cabeça), de aldeia emancipada e capital do estado; traz no peito (sentimentos) a emoção das suas origens, dividida entre as glórias do passado (fundador/intelectual) e o trabalho presente do operário (trabalhador/braçal); e tem ainda, por princípio (base) o trabalho industrial, oprimido pelas emoções e escondido atrás de uma 'bandeira' de um grito de guerra. Quanta bipolaridade!

Falando em bipolaridade, eis que mesmo na forma de tratar uma bandeira, a cidade pode dar bandeira de quem ela é. Vejam aqui:


Exemplos do uso da bandeira de Blumenau, certo e errado:

À esquerda, a correta, bandeira de Blumenau em frente à prefeitura, colocada em homenagem aos seus 160 anos.

À direita, errada, mega bandeira superfaturada colocada sob a ponte de ferro para comemorar os 163 anos da cidade e que se rasgou 5 dias após ser colocada, foi remendada no calar da noite e rasgou de novo, virando manchete nacional. Blumenau não é cidade pra brincar com mania de grandeza! Detalhe: esta bandeira ainda não respeitou sua forma original - quiseram ondular suas linhas retas. Erro fatal!!

No próximo post, o passo 2 para decifrar o enigma de Blumenau: colocando a bandeira no espelho. Não perca!



2 comentários:

  1. Blumenau parou no tempo. Confira o que veio com muito atraso: o primeiro shopping Neumarkt, o asfalto (no tempo do Décio Lima), a reforma da Proeb para feiras e eventos, terminais urbanos e corredores para ônibus, (e tem horário na madrugada que não tem condução), ponte com 4 pistas, reforma do hospital Santo Antônio, saneamento básico e finalmente o turismo está acordando (tenho fé). Todo atraso tem seu preço, não acompanha o real crescimento da cidade. Exemplo: o trânsito, em horários de pico, poucas alternativas para esse fim. Colônia de exploração foi a visão dos “homens de preto”, os intelectuais e proprietários das empresas, muito se aproveitaram da mão de obra barata e até qualificada, principalmente no ramo têxtil que vem sofrendo sérias consequências. Qualidade de vida, que tanto se fala, começa no trabalho onde se passa a maior parte do tempo e a maioria dos empresários desta cidade não acordaram para essa realidade, pertencem ao outro século. Nos desfiles e nas festas, o grito de guerra, o clamor de um povo oprimido nas mais belas fantasias.
    Sua interpretação da bandeira está correta.

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  2. Obrigada! Interessante como vc chegou bem perto... mas a resposta ainda não é 'tempo'.

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