Contos de Tarot 7 - Cidade natal - Rosane - Taróloga

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Contos de Tarot 7 - Cidade natal



Assumo o pequeno barco junto com o barqueiro e saímos daquele cais com um empurrão forte do remo contra a pequena encosta de onde estávamos. Não faço a mínima ideia do nosso destino. Também não imagino porque a mãe e a criança seguem conosco.

O barqueiro me deixa guiar o barquinho e, por instinto, sigo a mesma direção  das outras embarcações. Estamos indo para o Sul. À medida que avançamos, sinto o clima  esfriar. A criança se aconchega em sua mãe para se aquecer e a cena me enternece o coração. O barqueiro, prático e atento ao mar e à viagem, parece não se importar muito com nada. Sua idade avançada me faz pensar em quantas vezes ele já deve ter feito aquele trajeto. Sinto-me útil por ajudar ao mesmo tempo me questionando sobre o porquê daquele barco diferente, de estarmos os 4 nele, para onde estamos indo. Minha cabeça meio que está em parafuso e meus pensamentos são interrompidos pelo barqueiro. Uma neblina nos cega um pouco a visão.

- Quanto mais você se pergunta, mais difícil fica a viagem.
- Mas como ficar tranquilo/a se não sei pra onde vamos? Não sei nem o que faço aqui. Não conheço essas pessoas. Eles estão em busca do mesmo que eu?
- Não.
- Como você sabe?
- Experiência.

O mar vai ficando mais revolto e o barco balança um pouco. Sinto que nos afastamos dos outros barcos.
- Melhor você se acalmar - ele me diz. - Vai demorar mais assim.

Tento relaxar e não pensar tanto. Respiro fundo e presto atenção ao remo cortando as águas e nas ondinhas que faz. Aquela imagem me acalma.

Navegamos por um par de horas, talvez, quando finalmente avisto uma margem. Parece a praça de um pequeno vilarejo, com algumas pessoas transitando sem pressa. O clima é bucólico. Há casas antigas de pedra, como castelos. Crianças brincam na rua com seus cães. Comerciantes parecem negociar numa feira. Muitas pessoas sentadas em bancos, sorridentes e distraídas com amenidades. O barqueiro assente para mim, apontando com a cabeça para a mãe e a criança, nada falando.



Nos dirigimos para lá e somos recebidos por um velho senhor idoso, que acena e abre os braços para a pequena família. Parece que os esperava.

Atracamos e a mãe estende seu filho para o velho que pega a criança no colo, sorrindo. A mãe também desce e se encaminha em direção a um homem ao fundo, que a abraça e beija. É um reencontro feliz.  Está tudo, parece, em harmonia. Há uma mesa farta numa das casas e o clima de festa de família toma conta do lugar. Sinto-me muito bem com a cena e, convidado/a a me juntar ao grupo, movimento-me para também descer.. O barqueiro me segura pelo braço.
- É a sua família, sim. Mas não está na sua hora.

________________

Interpretação: 

O Arcano do 10 de Ouros fala de legados, heranças materiais e genéticas e da nossa terra natal.

É importante que hoje você pare para refletir sobre o papel que desempenha na sua família para a sua evolução. Como você tem ajudado os seus no seu destino? Você tem favorecido o caminho dos seus ou tem atrapalhado o seu desenvolvimento com pensamentos ruins e hostilidades?

Todos estamos juntos no mesmo barco, dividimos o mesmo padrão genético e seguiremos também ao mesmo destino final. Vale, hoje, baixar a guarda com relação a críticas inúteis e a julgamentos desnecessários sobre o estilo de vida de cada um. Todos buscamos a felicidade e cada um vai encontrá-la no seu tempo, do seu jeito, conforme o seu nível evolutivo.

Para uns, a felicidade é estar em casa com os seus, numa vida simples, cuidando dos filhos e netos. Para outros, no amor erótico. Outros, encontrarão felicidade na riqueza material. Para outros ainda, nas aventuras infantis e para outros até na  satisfação dos seus instintos animais.

É importante, com este Arcano, estar em paz com cada um dos nossos membros, os aceitando do jeito que são, com seus valores e vivências.  Fazemos parte desta família, nos identificando com ela ou não. Mas é importante que não estacionemos nela.

Se ainda não está na nossa hora de nos juntarmos aos nossos antepassados, nossa missão é ajudar os nossos a encontrar cada qual o seu destino, aceitarmos ajuda se precisarmos, mas continuar a nossa jornada individual.

Nascemos de uma família, mas chega uma hora que precisamos nos desapegar, seja de mãe, pai ou filhos, para evoluir. Nosso barco precisa ficar mais leve, sem carregar apegos, culpa, tristeza ou arrependimento do que já passou. Sigamos felizes. Carpe Diem!



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