Contos de Tarot 9 - Sob pressão - Rosane - Taróloga

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Contos de Tarot 9 - Sob pressão



O cavaleiro ao meu lado parece contente com a minha presença.
- Ele não é um mau sujeito - completa, cúmplice, ainda avisando o barqueiro sumir no horizonte - Mas ele não gosta de mudanças, tem medo dos riscos. Ainda não entendeu que é impossível evoluir sem mudar as coisas. Mudar faz parte da vida tanto quanto morrer.

Concordo internamente com o jovem de armadura, ao mesmo tempo que me questiono também sobre ele.
- E você, pelo que vive?
- Pelo que vive todo homem de honra: pela justiça. Você, não?
Era uma pergunta quase retórica. Negar seria dizer que não sou honrado/a. Sei que ele está me testando.
- A justiça tem muitos lados. A justiça para uns pode ser injustiça para outros. Depende do lado que se vê.
- Você ainda vê o mundo em partes. Não existe verdades e mentiras aqui. Há uma só verdade. Todo o resto é falso.
O cavaleiro me parecia agora um sujeito um tanto radical. Talvez até inocente ou crente demais.
- Mas não se preocupe, meu amigo - abraçava-me novamente com força o cavaleiro - você terá tempo aqui para descobrir tudo por si mesmo.  Convém agora que eu te leve ao nosso Imperador!

Começamos a andar por aquele vilarejo simpático. Meus ex-companheiros de viagem haviam se perdido dentre as pessoas. Por certo encontraram seus destinos. O lugar lembrava um pouco daquelas cidades do interior onde todos se conhecem e onde a vida social ainda gira em torno de uma praça e talvez uma igreja. Mas não havia uma igreja por lá. Menos mal, pensava eu.

- Melhor irmos à cavalo para onde vamos. Fica um pouco distante.
O cavaleiro monta rapidamente em seu cavalo e me estende a mão:
- Espero que você goste de correr.

De fato a viagem foi rápida e logo chegamos a um grande castelo, daqueles medievais. Bem, tudo lá parecia ser mesmo de uma outra era. Reis, cavaleiros, castelos... será que eu havia parado num tipo de conto de fadas?

O cavaleiro tinha acesso a tudo. Devia ser muito influente e importante por lá. Logo fomos conduzidos pelas grandes alas do castelo até um grande salão central. Pela riqueza dos ornamentos, tapetes, mobílias e roupas das pessoas, era certamente o salão real. Eu ia mesmo conhecer o imperador. Será que eu estava devidamente apresentável?


- Meu filho! - bradou alto o imperador - Finalmente! Por onde você esteve? Quem é este com você?
Entendido o salvo conduto do cavaleiro. Agora todos os olhares se voltavam para mim. Me senti um tanto perdido/a.
- Acabou de chegar. Veio se juntar a nós. - fala baixo ao ouvido do imperador - Creio que é quem aguardávamos.

O imperador vem calmamente em minha direção. Olha-me dos pés à cabeça, andando ao meu redor.
- Hum... Não tenho tanta certeza. Mas pode ser. Ande até aquele soldado! - ele ordena - Agora volte! Abra a sua boca! Mostre seus dentes! Deixe-me ver suas mãos! Tire esse casaco!

Não sei se por medo ou pela sua voz de autoridade, obedeço a tudo sem questionar. Começo a ficar um pouco retraído/a, me sentindo invadido/a e diminuído/a. Aquela situação me incomoda profundamente. Obedeço feito uma criança e me revolto comigo mesmo/a. Mas não tenho coragem de abrir a boca.
- Muito bem! - conclui finalmente o imperador após sua longa inspeção  - Deixe-o/a ficar por uns tempos. Vamos ver do que ele/ela é feito/a.

______________________

Interpretação: 

O Arcano do Imperador invertido revela a probabilidade de você ter que se sujeitar, hoje, à pressão de algum tipo de "autoridade", seja ela interna, por força de situações que você precisa fazer, seja externa, na forma de chefes, patrões, pais ou clientes.

Em qualquer dos casos, você sentirá que não poderá fugir muito ao seu dever. Hoje você precisará, mais do que nunca, de ordem, disciplina e obediência às regras, se quiser ter um bom dia.

Acontece, porém, que talvez, pela inversão deste Arcano, você não se sinta feliz por isso.

Muitas vezes fazemos o que fazemos na vida como funcionários/as, filhos/as, maridos/esposas (ou seja lá que papel você desempenhe), não por amor. Mas por puro dever. Trabalhamos porque precisamos de dinheiro. Somos fiéis para manter o casamento. Bons filhos por obrigação. E assim vamos tocando porque não temos coragem de expressar o que verdadeiramente sentimos. Sabemos, no fundo, das consequências de uma possível rebeldia. E não queremos pagar o preço. Covardia? Talvez um pouco de inteligência, isso, sim.

Há sistemas maiores sobre nós e, nele, coisas que podemos mudar, outras não. Certas leis são imutáveis e, por mais que discordemos delas, elas regem nossa vida.

Há que se ter dinheiro para sobreviver. Por isso trabalhamos, mesmo executando tarefas que, muitas vezes, não gostamos. Há que se fazer exercícios, comer e dormir direito para ter saúde. Ir ao médico se precisarmos. Seguir prescrições. Assumir as responsabilidades do casamento e respeitar o sentimento dos outros. São regras, leis invisíveis ou bem visíveis, que ordenam e regulamentam a vida.

Vale hoje, com este Arcano, não desafiar o status quo. Mesmo que ele lhe pareça arbitrário, opressor, tirânico ou até sem sentido. Siga, hoje, os velhos lemas: "Quando um burro fala, o outro abaixa as orelhas" ou "Manda quem pode. Obedece quem tem juízo".

Aceite seus limites hoje, apenas. Amanhã é outro dia. Carpe Diem!



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