Contos de Tarot - Era uma vez... - Rosane - Taróloga

terça-feira, 2 de julho de 2019

Contos de Tarot - Era uma vez...



...uma bruxa que, todos os dias pela manhã, via a sorte através de lâminas de imagens, que partilhava com seus amigos de coven. Ela mesma havia formado aquela egrégora, no intuito de dividir um pouco do que ela aprendia a cada dia. Isso era o que ela pensava. No fundo, aquela atividade havia se tornado o seu motivo particular para se levantar da cama e enfrentar mais um dia naquele mundo que havia se tornado tão familiar e estranho para ela.

Um dia, porém, numa das suas previsões, ela tira o Arcano da Estrela (17). Sua saída logo após a carta da Morte no dia anterior a faz pensar nela mesma e em todas as pessoas que, como ela, estão como que numa transição, dosando as águas emocionais antes de entrar no seu próprio mundo da Lua, carta que se seguia naturalmente àquele Arcano. Com o tempo, o evento, porém, acabou perdendo sua importância. Dentre os muitos Arcanos de Paus, Espadas, Copas, Ouros, invertidos e normais, que apareceram naqueles dias, surge então a própria carta da Lua (18). Ela olha a data da tirada. Exatamente 9 dias após a Morte. Simbolista como era, entendeu que aquela lâmina, em especial, lhe dizia algo. E partilha sobre a mesma, já com outro olhar, outro entender.

No dia seguinte, então, outra surpresa. Sai o Eremita, seu Arcano Pessoal e também número 9.  Ela não podia mais negar aquelas sincronicidades.
Então a bruxa se vestiu de coragem, respirou fundo, fechou os olhos e deixou que uma nova história começasse a nascer. A partir daquele dia, as cartas não seriam mais apenas alertas ou presságios sobre as energias do dia. Mas parte de uma história maior que nem ela sabia onde a levaria. Mas na qual ela, tal qual a protagonista de sua história, queria se jogar de cabeça.

As cartas abaixo são as que dão saída ao Conto de Tarot que se constrói diariamente, com as cartas que ela agora ela sorteia para construir a sua nova jornada. A história de um/a Argonauta em busca da sua Estrela.

Boa leitura!

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Veja a sua dor

Perdidos no breu do fundo do mar, chega o Eremita para iluminar nossa busca. Ele traz a lamparina da verdade de todos os guias e com o seu cajado, que o acompanha em tantas caminhadas, aponta o caminho: "siga o seu coração".

Quase nos revoltamos com essa orientação! Assim é fácil ser guia! Até Paulo Coelho fala isso. No que o Eremita nos devolve: "então por que você não  faz isso? Por que, na sua adolescência, quando sua mente era tão limpa, você sabia o que queria... e agora se perdeu? Por que você duvidou do seu coração e passou a ouvir tudo o que os outros diziam, ao invés do seu guia interno?"

Navegar no fundo das águas escuras não é fácil. Reconhecer que duvidamos do saber do nosso coração, mais ainda. Assumir que confundimos seu querer com os quereres dos nossos hormônios, da nossa sexualidade, do querer do outro, mais, mais ainda.

Talvez, pela primeira vez na nossa jornada, sintamos o bem de estarmos sozinhos no escuro para finalmente ouvirmos o nosso coração. Começamos a nos reconciliar com a solidão. Ao invés de a lamentarmos, fugirmos dela, a abraçamos.

Só estou aqui, podendo ouvir meu coração, porque não ouço mais nada.

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Interpretação:

A passagem dessa história é alegórica. Serve para nos dizer que hoje talvez tenhamos um certo lampejo de consciência sobre as nossas emoções. Entendamos o motivo de estarmos onde estamos e o valor dos aprendizados que tivemos com cada um dos nossos sofrimentos, lutos e perdas. Essas vivências nos mostraram mais de nós. Construíram nossa jornada. Fizeram nossa força e sensibilidade. Se nos sentimos sós, é porque neste momento precisamos estar a sós conosco. Precisamos deste isolamento dos barulhos do mundo.

Abrace hoje a sua solidão como quem aninha uma criança em seu peito. Acolha-a. Ela vai lhe ensinar mais do que qualquer faculdade. Carpe Diem!





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