TAROTERAPIA

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Astrologia

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Você é do tipo que gosta do Tarot mas não admite?




Se tem uma coisa comum no nosso meio é o preconceito que a gente sofre. O que já atendi de gente que, atendendo o telefone no meio da consulta, dizia que estava num médico, na fila, fora de casa, trabalhando... você não acreditaria. É vergonha de dizer que consulta uma taróloga, vergonha de falar para os/as amigos/as que foi à uma, vergonha de publicar uma avaliação no Google... afinal, o que os outros vão falar? Ai que vergonha!!


Vergonha, eu? Imagina...


Apesar deste tipo de comportamento ser constrangedor para quem atende (eu!), não posso condenar (muito) quem age assim. O Tarot é atacado, maldito e ultrajado desde que surgiu. 

A perseguição católica, é claro, tem a maior culpa pela sua má fama - assim como fez com as mulheres - veja AQUI o que foi esse extermínio. E desde que surgiu, o Tarot  nunca negou seu caráter 'subversivo'. Se afirmar como um sistema divinatório (que busca saber sobre a vontade dos deuses) em plena idade das trevas foi, no mínimo, um ultraje para o poder da igreja que desejava, antes de mais nada, que apenas ela fosse a porta-voz do altíssimo. 


"Santa" Inquisição - que de santa não tinha nada!


Mas o Tarot não é apenas um sistema divinatório. Ele também é uma poderosa ferramenta de autoconhecimento. Ele fala das funções da consciência muito antes da invenção da psicologia. Trata dos fenômenos evolutivos de forma direta, antes da abertura de todo conhecimento hermético. E é por essa abordagem que, talvez, ele traga mais medo. Colocar a autonomia na mão das pessoas (principalmente as mais simples) sempre causou pânico e sempre causará. Imagine o caos quando o ser humano pensar por si mesmo! Quando entender que existem inúmeros fatores que afetam o seu destino (além da 'vontade divina') - mas que a forma como se interpreta os eventos, sua subjetividade, é que determina o seu futuro. Quanto menos se souber quem se é, mais fácil ser manipulado. E os que sempre deram ouvidos a esses ecos do passado estão entre esses.

Assim, os que hoje espelham, afinal, esta 'vergonha' ao consultar um tarólogo nada mais são do que pessoas que também ouviram falar mal dele ou de quem trabalha com ele e não se questionam sobre isso. Apesar disso, ainda romperam com esse medo e foram, afinal, consultar a tal da pessoa que 'tira as cartas e lê a sorte'. Nem que seja pela curiosidade e fantasia mágica que o Tarot ainda exerce no imaginário popular.


Loucos confessos

Mas o pior não é nem o preconceito do cliente. O pior é ser um tarólogo que tem vergonha do que faz. E olha que posso falar com  propriedade sobre isso! Já briguei muito com o meu racionalismo que insistia em me puxar para a sua falsa segurança do mundo utilitarista antes de me assumir em definitivo como taróloga. Antes, na verdade, de entender de fato o Tarot e a minha atração por ele. Faço, nesse sentido, minhas as palavras do mestre Jaime E. Cannes:



Lembremos o arcano de O Louco, o caminhante que sai desse mundo abandonado as regras do sistema, o sublime transgressor, que renuncia a tudo o que sabe para percorrer a estrada única do seu desenvolvimento interior. A viagem dele pelos arcanos maiores é a nossa jornada pela vida. Quando termina a jornada, completamente iluminado, ele o faz do mesmo modo, livre, sem apegos às coisas desse mundo, sem nenhuma necessidade de auto-afirmação ou auto-validação que venha de outros. Nem mesmo o cão que, no tarot clássico, rasga sua calça e parece querer detê-lo, símbolo da domesticação e da subserviência, é capaz de perturbá-lo. Nenhuma promessa de segurança é capaz de ludibriá-lo, pois ele sabe que a iluminação não é a conseqüência de um plano, e que qualquer caminho que realmente vale a pena percorrer não oferece garantias. As garantias vêm de sistemas mortos.
- Jaime E. Cannes em Tarólogo: profissão ou missão? 


Admitir-se tarólogo é não apenas aceitar que se percorrerá por uma estrada empoeirada de calúnias e preconceitos. É viver à margem da sociedade e sem ego - ou pelo menos questionando-o com muito mais frequência do que se faria numa vida mais comum. Porque a própria ferramenta com que se trabalha nos coloca frente a frente com nossas escolhas, falhas, medos, mentiras e inconsistências. 

As cartas aparecem então como um mapa que detecta padrões de comportamento antigos projetados no momento de certo conjunto de vivências. Revelam programações paternas e kármicas e apontam o caminho para a transformação e ou superação de tais programas.
- Jaime E. Cannes em  em O Papel Espiritual do Tarólogo


Viver de Tarot ou para o Tarot é, como bem descreve o mesmo Jaime, uma missão de quem encarna um papel espiritual de se autoanalisar, meditar e ajudar a guiar quem se propõe a se desenvolver muito mais pelo coração do que pela mente:

Ora, toda a agressão e conflito nascem de um excesso de mente e uma carência de coração. Os atuais tarólogos parecem constrangidos em mencionar o uso da intuição (que é o uso do coração), como se a mente racional fosse a única forma de aprender. E por falar nisso não é uma proposta da Nova Era explorar recursos além da mente? Tudo o que vemos à nossa volta é o resultado do excesso de mente. 


Seja você cliente ou tarólogo, vale dar uma boa lida nas referências acima e também se questionar acerca das suas próprias crenças e convicções. Vivemos num tempo tão carente de verificação de fontes! Tomamos como verdade tudo que ouvimos ou que, por conveniência, se encaixa na nossa visão de mundo. Se queremos de fato viver num mundo melhor, é nossa tarefa lutar para que a Verdade impere. 

O Tarot é apenas mais uma das muitas ciências da alma distorcida para caber nas "verdades convenientes" de um mundo que insiste em afirmar que a vida é apenas viver, consumir, ostentar e morrer. Ele não é um objeto, assim como você também não é. Vale tratá-lo (e tratar-se) com o devido respeito.



Objetificar

verbo transitivo direto

Atribuir ao ser humano a natureza de um objeto, tratando-o como objeto, como coisa; coisificar: objetificar o corpo feminino em campanhas publicitárias.Ser alvo de objetivação, do processo que transforma a subjetividade, o trabalho ou algo abstrato, em algo material capaz de produzir ou se materializar em objetos: as grandes indústrias buscam objetificar os indivíduos, como máquinas.

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