Cartas do dia: Sacerdotisa + Rainha de Copas - Rosane - Taróloga

sábado, 28 de março de 2015

Cartas do dia: Sacerdotisa + Rainha de Copas

Oi? 2 cartas? Pois é, quiseram vir juntas, as duas. Danadas! E como não questiono os mistérios do tarot, vamos a elas.

A primeira pergunta que me faço é: o que a Sacerdotisa tem com a Rainha de Copas, além do fato das duas serem damas do amor? Sacerdotisa, dama do amor? Opa... espere aí! A sacerdotisa é uma figura casta, recatada, como cabe a uma "esposa de sacerdote" ou papisa. Papisa? Sim, outra pegadinha - aliás, o tema de hoje tá que tá uma pegadinha só! E vale aqui ver cada uma, tim-tim por tim-tim.

Sim, já houve uma papisa. Dizem alguns historiadores que teria ela ocupado a cadeira de São Pedro sob o falso nome de João VII e que guarda uma história dramática. A papisa teria sido uma mulher extremamente culta e que se fez passar por homem para escapar à proibição de estudar, imposta às mulheres. Impressionando os doutores da Igreja com sua sabedoria, teria chegado ao papado após a morte do Papa Leão IV. Porém, teria ela ficado grávida de um dos seus familiares e escondido a gravidez sob seu largo manto. E acabou dando à luz em plena rua, durante uma procissão. Delatada a farsa, a multidão, enfurecida por crer que o "santo trono" havia sido profanado por uma mulher, teria matado seu filho e amarrado Joana/João em um cavalo, apedrejando-a até a morte. Sim, a papisa ousa ter sexualidade. Ousa ser livre e ocupar o 'lugar de um homem'. Nada há de recato nem de passividade nesta nossa dama, portanto.

Vai uma fantasia aí, Rainha de Copas?
Agora, à nossa Rainha de Copas. Outra mulher terrível! Tão poderosa, tão dona de si e do seu poder de sedução, que onde passa, causa problemas. Não apenas pela sua hipnótica beleza. Mas pela sua liberdade e pelo desafio que representa aos homens. Quando nos perguntamos "quem sabe o que quer uma mulher?", é de uma Rainha de Copas que falamos. Ela faz o que quer e ninguém a prende. Passa de um amante a outro pelo simples prazer de fazê-lo. E, com cada qual, incorpora tão profundamente a fantasia íntima da mulher perfeita que eles procuram, que é difícil não se apaixonar perdidamente por ela. Mas ela é fiel apenas a si mesma e à sua necessidade de liberdade. Ela tem planos mais ambiciosos que ser "dona de casa".

Eis o que nossas "damas do amor" têm em comum: ambas são o retrato da "outra". A poderosa mulher dona do seu destino e que representa, para os homens, amor e ódio. A prostituta desejada pelo seu poder e desprezada pela sua liberdade sexual. A mulher inatingível pela sua inteligência, ambição de poder e liberdade. Mulheres idealizadas que, não raro, "morrem"  ao dar à luz e revelar, para o horror masculino, a sua santidade materna. Mulheres dúbias - eis por que vieram as duas. Prostituta e Virgem. Sempre separadas. Porque, juntas, abalariam toda uma gama de preceitos firmados por séculos por uma sociedade machista que, por mais paradoxal que seja, prefere uma outra fora de casa a ver a sua "outra face", inteira, em pé de igualdade dentro dela.







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